Paganismo
Por ser Roma uma cidade cosmopolita e sede de um vasto império, afluíram a ela povos de diversas culturas, que incluíam na bagagem cultural inúmeras crenças, as quais eram recebidas e reconhecidas pelos romanos. Entre elas, teria-se associado às crenças dos latinos, sabinos e etruscos a reverência ao primeiro dia da semana.
Em outras línguas e países, ainda permanecem expressões oriundas de cultos pagãos e deuses mitológicos antigos, como aqueles oriundos dos babilônicos, com base no fato do domingo ser dedicado ao deus Shamash, o Sol (o senhor do culto solar) segundo as crenças daquele povo, bem como dos assírios e egípcias, que reverenciavam como deus maior o sol, o deus Rá, conforme foi também comentado por Gerald Messadié, em História Geral do Antisemitismo. Sem contar os tantos outros povos adoradores do Sol, como as civilizações anteriores a Cristóvão Colombo das Américas.
Cristianismo
Desde o cristianismo primitivo há divergências de opinião sobre a questão de o sábado ou o domingo deve ser observado como dia de descanso.[4] A divergência não se aplica aos judeus, para quem o dia de descanso (Shabat) é incontestavelmente no sábado, nem para os muçulmanos cujo dia sagrado (jumu'ah) é em uma sexta-feira. A divergência entre a tradicional observância religiosa judaica do Shabat e ao respeito ao primeiro dia da semana aparece na Bíblia em Atos 20:7 onde os discípulos se reuniram no "primeiro dia da semana e partiram o pão" juntos. (Nos versículos anteriores, já haviam comemorado os dias de pão ázimo, incluindo a Páscoa, ou seja, estavam fazendo comunhão em memória a ressureição de Cristo no domingo).
A ressurreição de Cristo, por Raffaello Sanzio, 1500. MASPSegundo os evangelhos, Jesus Cristo ressuscitou no primeiro dia da semana (Mateus 28:1, Marcos 16:2, Lucas 24:1, João 20:1). Oito dias mais tarde (isto é, o próximo domingo), Jesus apareceu-lhes uma segunda vez (João 20:26). No fim de quarenta dias, também no domingo, a Bíblia afirma que Jesus subiu ao céu, enquanto observava os discípulos (Atos 1:9) e dez dias depois, no início da festa de Pentecostes, a Bíblia diz que o Espírito Santo impregnou os discípulos de Cristo, que instituiram a Igreja Cristã (Atos 2:1), conseqüentemente no primeiro dia da semana.
Em Colossenses 2,16 está escrito "Ninguém vos critique por causa de comida e bebida, ou espécie de luas novas ou de sábados" afirmando que os primeiros cristãos já não observavam o sábado e nem certas restrições alimentares judaicas, e que por isso, tinham sido julgados por outros, que continuavam observando estas tradições. O próprio Jesus foi criticado por ter deixado de observar tradições alimentares (Mateus 9, 14) e sabáticas (Mateus 12: 1-8, Lucas 6: 1-8, Marcos 2:23-28).
A questão só seria encerrada em 325 d.C., com as orientações decididas no Primeiro Concílio de Nicéia, que estabelece universalmente o domingo como dia sagrado, o nome do primeiro dia da semana foi modificado de Prima Feria para Dies Domenica. Decisão mantida pela maioria das denominações cristãs até a atualidade.
A designação teve repercussões geográficas quase dez séculos mais tarde: Cristóvão Colombo, ao chegar pela primeira vez ao Caribe, a 3 de novembro de 1493, mais precisamente à ilha hoje compartilhada pelo Haiti e pela República Dominicana, chamou-a Dominica, por ser um dia de domingo, segundo o calendário juliano então em vigor.
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